Bodegas Weinert em Porto Alegre

A vinícola argentina Weinert tem uma história curiosa: embora localizada em Mendoza, ela pertence a um brasileiro. O gaúcho Bernardo Weinert, descendente de alemães e natural de Ivoti, emigrou nos anos 1970′ para apostar em um projeto ousado – estabelecer-se na produção de vinhos finos no coração da viticultura argentina.

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Na última sexta-feira (15/04), sua filha Induna esteve no Brasil para apresentar os produtos da vinícola na Vinhos do Mundo, importadora que voltará a trazer a marca ao Brasil. Que tal conhecer os principais rótulos desse produtor?

História e estilo

A identidade dos vinhos da Bodegas Weinert está profundamente associada à história da família. Os pés do projeto estão no Brasil, de onde eles vieram e para onde exportam desde a criação da vinícola. As mãos, por sua vez, estão na Argentina, onde eles acumulam 40 anos de experiência e conhecimento na arte de fazer vinhos. Já o coração dos seus produtos está nas origens europeias da família, transparecendo em tintos que buscam fugir do estilo contemporâneo argentino (mais carregado e concentrado) para se afirmar em vinhos delicados e elegantes.

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Induna nos contou que seu pai migrou para a Argentina em um período de crise da produção de vinos no país, de olho na oportunidade de produzir para o mercado brasileiro. Nos primeiros anos, ele aproveitou essa chance para comprar boas terras e, também para adquirir, de seus concorrentes, grandes toneis de vinificação, alguns usados até hoje. A opção por vinificar seus vinhos em grandes barris, de 2.500 a 6.000 litros, é em boa parte responsável pela personalidade dos vinhos produzidos pela Weinert.

De modo geral, esta técnica resulta em tintos com bom corpo e taninos amadurecidos, porém sem aquelas notas marcadas de carvalho. Quanto maior e mais usada a barrica, menor a passagem de aromas amadeirados para o vinho – porém a capacidade de evolução gradual da bebida no tonel permanece. Esse método permite que a Weinert atinja um alto grau de maturidade e complexidade em seus produtos, com um ar mais refinado (alguns diriam “francês”) que agrega aromas terciários e preserva a expressão da fruta.

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Vinhos e janta

O formato escolhido para apresentar os vinhos foi um jantar harmonizado. Na recepção dos convidados (foto acima), foram servidos petiscos para acompanhar o Carrascal Malbec 2012, vinho de entrada da vinícola. Este Malbec não tem a necessidade de guarda dos outros produtos da casa. Acompanha bem comidas mais pesadas ou temperadas.

IMG_8700De modo geral, a linha Carrascal traz produtos mais diretos, prontos para o mercado e para ocasiões de descontração. Apesar disso, eles passam 24 meses em barrica antes de chegarem ao mercado! O segundo vinho apresentado, seguindo esta proposta, foi o Carrascal Cabernet Sauvignon 2012. Semelhante ao Malbec na jovialidade e intensidade, o vinho tem uma boa acidez e harmonizou muito bem com a salada de pato e manga ao molho de laranja (foto ao lado). Para quem quiser tentar uma combinação mais simples em casa, ele deve fechar bem com carnes mais pesadas e com molhos que tenham alguma acidez, seja a base de frutas cítricas ou com toque de vinagre.

Principais estrelas

A diferença para a linha Weinert, contudo, é grande!  O Weinert Merlot 2006 é um vinho com proposta rara. Para começar, assim como toda linha Weinert, ele acaba de ser lançado no mercado (pois é, após 6 anos em tonéis e mais um bom tempo em garrafa!). Ele está, no pleno sentido da palavra, pronto. É um vinho com boa evolução e aromas complexos, que na minha opinião está barato pelo que oferece. Duas ressalvas apenas: primeiro, este não é um vinho com aquela pegada intensa que se espera dos argentinos, então não crie falsas expectativas. Segundo, se você quiser estocar, depois me conte como ele vai mudar com o tempo, pois eu fiquei curioso! Ele parece estar próximo do seu pico, mas posso estar errado. Harmonizou com um risoto de frutos do mar e manjericão.

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O Weinert Malbec 2006 foi o vinho escolhido para acompanhar o prato principal: cordeiro ao molho do Porto acompanhado de purê de moranga e gorgonzola. Sim, um belíssimo Malbec, que apesar de ainda mostrar fruta agregou aromas raros, como tâmaras e ervas aromáticas.IMG_8706

A degustação especial da noite foi servida enquanto terminávamos o cordeiro: o Cavas de Weinert 2006 é um vinho que surpreende. Praticamente um corte bordalês, ele se diferencia pelo uso de Malbec, raramente empregado na França. Além disso, o vinho mostra uma intensidade maior que o restante da linha Weinert, ao mesmo tempo em que mantém sua complexidade. O segredo para chegar a esse resultado, conta Induna Weinert, é simples: selecionar os melhores barris, aqueles que demonstrem mais intensamente as características que a vinícola presa, e elaborar um corte com a finalidade de ressaltá-las. O resultado está à altura do desafio! Para mostrar todo seu potencial, este é um vinho que merece ser decantado, ou então repousar mais alguns bons anos em adega antes de ser aberto!

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Identidade e tradição: a taça cheia de Cavas de Weinert respira nas mãos de Induna Weinert.

Álvaro Lima é jornalista e ficou muito feliz em descobrir que uma vinícola com a qualidade da Weinert voltou para o portfólio da Vinhos do Mundo.

 

 

 

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