25ª ANV revela diversidade e inovação

A julgar pela edição 2017 da Avaliação Nacional de Vinhos (ANV), o mercado brasileiro vive um bom momento para os consumidores. A apresentação das amostras selecionadas pelo painel de enólogos da Associação Brasileira de Enologia (ABE) revelou diversidade nas castas tintas e consistência nas brancas – além de qualidade em todas as taças provadas na degustação, tal como na ANV 2016.

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A ANV é uma degustação única no mundo, que reúne anualmente 850 participantes para provar os exemplares mais significativos da safra daquele ano. Na edição atual, em que a Avaliação completou 25 anos, os organizadores atingiram uma nova marca, aproximando-se de mil degustadores! São profissionais do mundo do vinho, enófilos e jornalistas, todos curiosos por descobrir o perfil da nova safra.

Panorama do vinho nacional

Muitas das amostras degustadas ainda não estão prontas para o mercado, mas elas ajudam a entender as influências climáticas do ano e as tendências da vinicultura brasileira. “O que o público degustou na taça é a antecipação do que estará no mercado a partir do próximo ano”, salienta Edegar Scortegagna, enólogo presidente da ABE.

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Este ano, foram 327 amostras inscritas por 59 vinícolas de seis estados brasileiros (Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), fazendo desta a maior Avaliação dos últimos quatro anos. A pré-seleção desses vinhos é realizada durante o mês de agosto por 118 enólogos, às cegas e seguindo normas internacionais, sob a coordenação da Embrapa Uva e Vinho. Eles pontuam as amostras e elegem os 30% mais representativos (103 vinhos), que são anunciados ao final da ANV. A lista desses produtos pode ser acessada neste link.

Dentre os vinhos destacados, 16 deles são selecionados como sendo os mais representativos da safra e levados para a degustação com o grande público. São vinhos escolhidos não apenas pela sua qualidade, mas pela sua significância dentro do panorama total das amostras.

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Vinhos

Para ser justo com as amostras e não deixar o texto muito longo, publicarei em postagens independentes minhas impressões sobre os vinhos de cada categoria. Adianto que, para as bases de espumante, as amostras estavam mais límpidas do que em anos anteriores, mas mantinham a pureza aromática esperada (o que gera ótimas expectativas). Os brancos seguem tendências já conhecidas – com excelentes exemplares sem madeira nas uvas aromáticas e não aromáticas, além de experiências com uso mais intenso de barrica no Chardonnay. Já os tintos se mostraram muito versáteis: além das castas tradicionais de Bordeaux (Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc) tivemos amostras de Petit Syrah, Tannat e Malbec!

Troféu Vitis

Desde 1993, a ABE homenageia com o Troféu Vitis pessoas que se dedicaram a valorizar o vinho brasileiro. Neste ano, a entidade entregou o Troféu Vitis – Amigo do Vinho para a jornalista Andréia Debon, editora da Revista Bon Vivant, uma das poucas (e boas) publicações especializadas em vinho no Brasil. Ela já detém título de sommelier internacional, participa como jurada em degustações e concursos de vinhos no Brasil e no exterior, viajando para países produtores e com potencial enoturístico.

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Presidente da ABE, Edegar Scortegagna, entrega Troféu Vitis para Andréa Debon

Já o Troféu Vitis – Destaque Enológico foi entregue à enóloga Maria Regina Ferreto Flores, hoje diretora técnica da LNF Latino Americana. Maria Regina foi professora na então Escola Agrotécnica Federal e enóloga-chefe da Cooperativa Vinícola Aurora de 1984 a 1995, tendo ajudado a formar muitos dos enólogos atualmente em atividade no Brasil.

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Veja a lista completa das 16 amostras degustadas na ANV:

Vinho Base para Espumante

  • Chardonnay/Riesling Itálico – Chandon (Garibaldi – RS)
  • Chardonnay – Casa Valduga (Bento Gonçalves – RS)
  • Chardonnay – Domno do Brasil (Garibaldi – RS)

Branco Fino Seco Não Aromático

  • Riesling Itálico – Cooperativa Vinícola Aurora (Bento Gonçalves – RS)
  • Chardonnay – Vinícola Almadén (Santana do Livramento – RS)
  • Chardonnay – Vinícola Cave de Pedra (Bento Gonçalves – RS)

Categoria Branco Fino Seco Aromático

  • Sauvignon Blanc – Vinícola Fazenda Santa Rita (Vacaria – RS)
  • Moscato Giallo – Cooperativa Vinícola São João (Farroupilha – RS)

Categoria Tinto Fino Seco Jovem

  • Cabernet Franc – Vinícola Salton (Bento Gonçalves – RS)

Categoria Tinto Fino Seco

  • Petit Syrah – Luiz Argentina Vinhos Finos (Flores da Cunha – RS)
  • Merlot – Casa Perini (Farroupilha – RS)
  • Merlot – Miolo Wine Group (Bento Gonçalves – RS)
  • Cabernet Franc – Giacomin Indústria de Bebidas (Flores da Cunha – RS)
  • Malbec – Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves – RS)
  • Cabernet Sauvignon – Guatambu Estância do Vinho (Dom Pedrito – RS)
  • Tannat – Don Guerino Vinhos e Espumantes (Alto Feliz – RS)

Texto de Álvaro Lima (Movido a Vinho) e Fotos de Jeferson Soldi (divulgação)

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