ANV 2017 – Brancos com diversidade

Os vinhos brancos não são uma preferência do consumidor brasileiro, embora sua versatilidade seja perfeita para o nosso clima tropical. Quem ainda não provou um branco gelado na beira da piscina ou da praia, não sabe o frescor que essas bebidas podem oferecer num dia quente. Quem nunca tomou um Chardonnay amadeirado no inverno, desconhece o prazer de um branco encorpado em dias mais frios. Faça chuva ou faça sol, o vinho branco é uma bebida que consegue se adaptar melhor que o vinho tinto em muitas situações, e merece toda a nossa atenção.

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Dos 16 vinhos selecionados este ano entre os mais representativos, foram 5 brancos . Eles foram escolhidos em meio a um total de 86 amostras de brancos. E aí, quer saber quais foram os vencedores?

Esta é a terceira postagem da nossa série sobre os vinhos apresentados na Avaliação Nacional de Vinhos (ANV) 2017. Acesse aqui a matéria sobre o resultado geral da avaliação e, neste link, o texto sobre os vinhos base de espumante.

Os organizadores da Associação Brasileira de Enologia (ABE) dividem os brancos em duas categorias: aromáticos e não aromáticos. A distinção é importante para decifrar o estilo e a proposta de cada vinho, e também evita que as uvas mais florais eclipsem os vinhos de notas mais delicadas.

Brancos não aromáticos

Os avaliadores tiveram a oportunidade de provar dois vinhos mais leves e um mais encorpado na categoria dos não aromáticos. As duas primeiras amostras foram vinhos leves e muito agradáveis: um Riesling Itálico da Cooperativa Aurora e um Chardonnay da vinícola Almadén. Ambos estavam muitos bons, mas o Chardonnay da Almadén surpreendeu pela vivacidade e qualidade dos aromas, com intensas notas de fruta tropical (banana e abacaxi). Se for comercializado na faixa de preço habitual da vinícola, vou precisar abrir espaço na adega para comprar duas caixas.

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A terceira amostra, com presença mais marcada de madeira, foi um Chardonnay da Cave de Pedra. Trata-se de uma proposta que vem ganhando admiradores no mercado brasileiro, mais untosa e menos refrescante do que a vertente representada pelas duas amostras anteriores. Acredito que o vinho vai agradar os amantes do estilo, mas tudo indica que ele será pesado, logo pouco jovial.

Brancos aromáticos

Sou um amante da uva Sauvignon Blanc, embora ainda não conheça produtor gaúcho capaz de fazer um vinho à altura dos SBs catarinenses, chilenos e neozelandeses. Por essa razão, fiquei muito contente com a amostra da Fazenda Santa Rita, que produziu um SB herbáceo e aromático, com o álcool equilibrado e frescor agradável. Ouso dizer que este ficou no páreo com os melhores Sauvignon Blanc que tomei até hoje. Para ficar de olho!

 

Já a segunda amostra aromática, um Moscato Giallo da Cooperativa Vinícola São João, me deixou com uma sensação de déjà vú. Não me levem a mal: o vinho estava delicioso! Acontece que ele reafirma um estilo bem conhecido e apreciado dos gaúchos: o dos brancos jovens e fáceis de beber. É outro que se pode comprar de caixa, mas que cruzo os dedos para que eles vendam em Bag-in-box, pela versatilidade e leveza.

Texto e fotos de Álvaro Lima (Movido a Vinho)

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